Reise um die Erde in 80 Tagen.  Jules Verne
Kapitel 22. Passepartout überzeugt sich, daß es selbst bei den Antipoden gerathen ist, etwas Geld in der Tasche zu haben (Capítulo 22. Em que Passeparwut reconhece que, mesmo nos antípodas, é prudente ter algum dinheiro na bolso)
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Als der Carnatic am 7. November um halb sieben Uhr Abends Hongkong verließ, fuhr er mit vollem Dampf in der Richtung von Japan, mit voller Ladung an Waaren und Passagieren. Zwei Cabinen des hintern Theiles blieben unbesetzt; es waren die auf Phileas Fogg's Rechnung genommenen.

O Carnatic, tendo saído de Hong Kong, a 7 de novembro, às seis e meia da tarde, dirigia-se a todo o vapor para as terras do Japão. Levava um carregamento completo de mercadorias e passageiros. Duas cabinas de popa estavam desocupadas. Eram as que tinham sido reservadas por conta de Mr. Phileas Fogg.

Am folgenden Morgen konnten die Leute auf dem Vordertheil mit einigem Staunen sehen, wie ein Passagier mit etwas stumpfem Blick, wankenden Schrittes, zerzausten Haaren aus der Lucke des zweiten Platzes herauskam und sich schrankelnd auf einen Balken niedersetzte.

Na manhã seguinte, pela manhã, o pessoal da proa pôde ver, não sem alguma surpresa, um passageiro, o olho meio abestalhado, andar vacilante, cabeleira revolta, que saía da segunda classe e vinha, cambaleando, sentar-se numa bóia.

Dieser Passagier war Passepartout in Person. Hören wir, was vorgegangen war.

Este passageiro era Passepartout em pessoa. Eis o que tinha acontecido.

Alsbald nachdem Fix die Rauchbude verlassen hatte, nahmen zwei Kellner den in tiefen Schlaf versunkenen Passepartout und legten ihn auf das für die Raucher bestimmte Lager. Aber schon nach drei Stunden erwachte Passepartout, den auch im tiefsten Rausch ein festhaftender Gedanke verfolgte, und er kämpfte gegen die betäubende Wirkung der narkotischen Kraft. Der Gedanke an die Pflichtverletzung schüttelte die Betäubung ab. Er stand vom Lager der Trunkenbolde auf, und ging strauchelnd, an den Wänden sich haltend, aus der Bude hinaus, fiel und stand wieder auf, stets unwiderstehlich wie vom Instinct getrieben, und schrie in seinem Traumzustand: Der Carnatic! Der Carnatic!

Instantes depois de Fix ter saído do antro de ópio, dois rapazes tinham levantado Passepartout profundamente adormecido, e o tinham deitado sobre o leito reservado aos fumadores. Mas três horas mais tarde, Passepartout, perseguido até nos seus pesadelos por uma idéia fixa, acordou e lutou contra a ação estupificante do narcótico. O pensamento do dever não cumprido sacudia seu torpor. Deixou o leito, e, tropeçando, apoiando-se às paredes, tombando e levantando, mas sempre e irresistivelmente impelido por uma espécie de instinto, saiu da taverna, gritando como num sonho: o Carnatic! o Carnatic!

Das Packetboot lag da, rauchend, zur Abfahrt bereit, ihm vor der Nase Er wankte über den Brückensteg und sank wie todt auf dem Vordertheil hin, als eben der Carnatic die Anker lichtete.

O paquete estava ali lançando fumaça, pronto para zarpar. Passepartout só tinha alguns passos a dar. Lançou-se para o convés voando, atravessou a abertura da amurada, e caiu inanimado para frente, no momento em que o Carnatic largava suas amarras.

Einige Matrosen, denen so etwas nichts Neues war, trugen den armen Jungen in eine Cabine zweiten Ranges, und Passepartout wachte erst am andern Morgen auf, hundertundfünfzig Meilen von der Küste China's entfernt.

Alguns marinheiros, gente habituada a este tipo de cena, conduziram o pobre moço para um camarote de segunda, e Passepartout só acordou no dia seguinte de manhã, a cento e cinqüenta milhas das terras da China.

So war es gekommen, daß sich Passepartout an diesem Morgen auf dem Verdeck des Carnatic befand und mit vollen Zügen die frische Seeluft einathmete. Diese Luft machte ihn nüchtern, und er fing an, seine Gedanken wieder zu sammeln, was ihm nur mit Mühe gelang. Endlich erinnerte er sich dessen, was am Abend zuvor sich begeben hatte, wie Fix vertraulich geworden, ihn in die Rauchbude geführt, u.s.w.

Eis por quê naquela manhã Passepartout se achava sobre o convés do Carnatic e vinha aspirar a plenos pulmões as frescas brisas marinhas. O ar puro o despertou. Começou a juntar as idéias e não conseguiu senão a duras penas. Mas, afinal, lembrou-se das cenas da véspera, das confidências de Fix, da taverna, etc.

— É evidente, disse, que fui abominavelmente embriagado. O que dirá Mr. Fogg? Em todo o caso, não perdi o barco, e é o principal!

»Offenbar, sagte er sich, bin ich abscheulich betrunken gewesen! Was wird Herr Fogg dazu sagen? Jedenfalls hab' ich mich nicht für das Boot verspätet, und das ist die Hauptsache!«

Depois, pensando em Fix:

Hierauf, an Fix denkend, sprach er bei sich:

— Daquele, espero que tenhamos ficado livres, e que não terá ousado, depois do que me propôs, a nos seguir a bordo do Carnatic. Um inspetor de polícia, um detetive na pista de meu patrão, acusado do roubo feito no Banco da Inglaterra! Ora vamos! Mr. Fogg é um ladrão como eu sou um assassino!

»Was den betrifft, so hoff' ich, daß wir nun ihn los sind, und daß er, nachdem er mir den Vorschlag gemacht, sich nicht getraute, uns auf dem Carnatic zu begleiten. Ein Polizei-Agent, ein Detectiv meinem Herrn auf der Ferse wegen Diebstahl auf der Bank von England! Ei doch! Herr Fogg ist so wenig ein Dieb, wie ich ein Mörder!«

Sollte Passepartout diese Dinge seinem Herrn erzählen? Wäre es passend, ihn wissen zu lassen, was Fix dabei für eine Rolle spielte? Wäre es nicht besser damit zu warten bis zu seiner Ankunft in London, und dann ihm zu sagen, daß ein Agent der Polizei aus der Hauptstadt ihm auf der ganzen Rundreise nachgeschlichen sei, und dann mit ihm darüber zu lachen? Ja, gewiß. Jedenfalls wäre es noch zu bedenken. Das dringendste war nun, Herrn Fogg aufzusuchen und seine Entschuldigung für sein unverantwortliches Benehmen zu gewinnen.

Deveria Passepartout contar estas coisas a seu patrão? Conviria dizer-lhe o papel representado por Fix em todo esse negócio? Não seria melhor esperar a sua chegada a Londres, para lhe dizer que um agente da polícia metropolitana o seguira à volta ao mundo, e rir com ele? Sim, sem dúvida. Em todo caso, questão a examinar. O mais urgente era reunir-se a Mr. Fogg e apresentar-lhe suas desculpas por esta inqualificável conduta.

Passepartout levantou-se. O mar estava picado, e o barco balançava forte. O digno rapaz, com as pernas ainda pouco sólidas, ganhou mal e mal a popa do navio.

Sobre o convés, não viu ninguém que se parecesse com seu patrão, nem com Mrs. Aouda.

Passepartout stand also auf, und da das Packetboot bei hohler See stark schwankte, so kostete es dem guten Jungen, der noch nicht recht fest auf den Beinen stand, einige Mühe, auf's Hinterverdeck zu gelangen.

— Bem, disse, Mrs. Aouda está ainda deitada a esta hora. Quanto a Mr. Fogg, terá encontrado algum jogador de whist, e, segundo o seu costume...

Hier auf dem Verdeck gewahrte er Niemand, der wie sein Herr oder Mrs. Aouda aussah.

Dizendo isto, Passepartout desceu ao salão. Mr. Fogg não estava ali. Passepartout só tinha uma coisa a fazer: perguntar ao purser que cabina ocupava Mr. Fogg. O purser respondeu que não conhecia nenhum passageiro com este nome.

»Gut, dachte er, Mrs. Aouda liegt jetzt noch im Schlaf, und Herr Fogg wird einen Spielgenossen für Whist gefunden haben, und seiner Gewohnheit nach ...«

— Desculpa, disse Passepartout insistindo. É um gentleman alto, frio, pouco comunicativo, acompanhado de uma jovem dama...

Mit solchen Gedanken begab sich Passepartout in den Salon, aber Herr Fogg war nicht da zu finden. Passepartout brauchte indessen nur den Proviantmeister nach seiner Cabine zu fragen. Derselbe erwiderte, es sei ihm kein Passagier dieses Namens bekannt.

— Não temos nenhuma jovem dama a bordo, respondeu o purser. Demais, eis a lista dos passageiros. Pode consultá-la.

Passepartout consultou a lista... O nome de seu patrão não figurava nela.

»Entschuldigen Sie, sagte Passepartout dringend; es handelt sich um einen großen, kalten, wenig gesprächigen Gentleman in Begleitung einer jungen Dame ...

Teve uma espécie de vertigem. Depois uma idéia atravessou-lhe o cérebro.

— Mas espere! Estou mesmo no Carnatic? perguntou.

— Sim, respondeu o purser.

– Es befindet sich gar keine junge Dame an Bord, versetzte der Proviantmeister. Zum Ueberfluß unterrichten Sie sich selbst auf der Passagierliste. Hier ist sie.«

— Em viagem para Yokohama?

— Perfeitamente.

Passepartout receara por um instante ter-se enganado de navio! Mas, se estava no Carnatic, era certo que seu patrão ali não estava.

Passepartout besah die Liste ... Seines Herrn Name stand nicht darauf.

Er war ganz verblüfft. Da fuhr ihm ein Gedanke durch den Kopf.

»Ah! Bin ich denn auf dem Carnatic? rief er aus.

– Ja, erwiderte der Proviantmeister.

– Auf dem Wege nach Yokohama?

– Ganz richtig.«

Passepartout deixou-se tombar numa poltrona. Era um golpe mortal. E, súbito, a luz se fez. Lembrou-se que a hora de partida do Carnatic tinha sido antecipada, que deveria ter avisado seu patrão, que não o fizera. Era pois sua falta se Mr. Fogg e Mrs. Aouda tivessem faltado à partida!

Passepartout hatte eine Weile die Besorgniß, er sei auf das unrechte Schiff gekommen! Aber befand er sich auf dem Carnatic, so war es nun klar, daß sein Herr sich nicht darauf befand.

Das war für Passepartout ein Donnerschlag; er sank auf einen Fauteuil hin. Nun ging ihm plötzlich ein Licht auf. Er erinnerte sich, daß die Abfahrt des Carnatic auf etwas frühere Zeit verlegt worden war, daß er dies seinem Herrn hatte melden sollen, was er aber zu thun unterließ. Demnach war es seine Schuld, wenn Herr Fogg und Mrs. Aouda sich für die Abfahrtszeit verspäteten.

Sua falta, sim, mas ainda mais daquele tratante que, para separá-lo do patrão, para reter este em Hong Kong, o embriagara! Porque compreendia afinal a manobra do inspetor de polícia. E agora, Mr. Fogg estava com certeza arruinado, sua aposta perdida, detido, encarcerado talvez!... Passepartout, a este pensamento, arrancou os cabelos. Ah! Se algum dia Fix caísse em suas mãos, que ajuste de contas!

Seine Schuld, ja; aber noch weit mehr des Verräthers, der ihn, um ihn von seinem Herrn zu trennen und diesen zu Hongkong zurückzuhalten, betrunken gemacht hatte. Denn nun begriff er den Kniff des Polizei-Agenten. Und jetzt sei Herr Fogg sicherlich durch Verlust seiner Wette ruinirt, verhaftet, vielleicht im Kerker! ... Passepartout raufte sich bei diesem Gedanken die Haare. Ah! Fiele Fix ihm jemals in die Hände, wie würde er mit ihm abrechnen!

Por fim, após o primeiro momento de depressão, Passepartout recuperou o seu sangue frio e estudou a situação. Era pouco invejável. O francês achava-se a caminho do Japão. Tinha a certeza de chegar lá, como, porém, voltaria? Tinha os bolsos vazios. Nem um schilling, nem um penny! Entretanto, a sua passagem e o seu sustento a bordo estavam pagos adiantados. Tinha, pois, cinco ou seis dias ao seu dispor para tomar uma decisão. Se comeu e bebeu durante esta travessia, nem é preciso dizer. Comeu por seu patrão, por Mrs. Aouda e comeu por si mesmo. Comeu como se o Japão, onde iria aportar, fosse país deserto, desprovido de qualquer substância comestível.

Endlich, nachdem die erste Bestürzung vorüber war, bekam Passepartout seinen Gleichmuth wieder, und er studirte seine Lage, die wenig beneidenswerth war. Der Franzose befand sich auf der Reise nach Japan. Dahin kam er wohl gewiß, wie aber von da wieder weg mit leerer Tasche? Keinen Shilling, keinen Penny darin! Doch waren seine Fahrt und Kost an Bord vorausbezahlt. Also konnte er sich noch fünf bis sechs Tage besinnen, um einen Entschluß zu fassen. Wie er sich bei dieser Fahrt noch Essen und Trinken schmecken ließ, kann man sich denken: er aß für sich, seinen Herrn und Mrs Aouda zusammen.

Am 13. früh Morgens fuhr der Carnatic in den Hafen von Yokohama ein.

Dia 13, na maré da manhã, o Carnatic entrou no porto de Yokohama.

Este porto é uma parada importante do Pacífico, onde fazem escala todos os vapores empregados no serviço de correio e de viajantes entre a América do Norte, a China, o Japão e as ilhas da Malásia. Yokohama está situada na baía de Yedo, a pouca distância desta imensa cidade, segunda capital do império japonês, outrora residência do Tycoon, do tempo em que este imperador civil existia, e rival de Meako, a grande cidade em que habita o mikado, imperador eclesiástico, descendente dos deuses.

Dieser Punkt ist ein bedeutender Platz am Stillen Meere, wo alle Boote im Dienst der Post und der Reisenden zwischen Nordamerika, China, Japan und den malaischen Inseln anhalten. Yokohama liegt in der Bai von Yeddo, unweit von dieser ungeheuern Stadt, der zweiten Hauptstadt des Reiches Japan, vormals Residenz des Taikun, zur Zeit als dieser bürgerliche Kaiser noch existirte, und Rivalin von Miako, der großen, vom Mikado bewohnten Stadt, dem kirchlichen Kaiser, der von den Göttern stammte.

O Carnatic veio se alinhar no cais de Yokohama, perto dos molhes do porto e dos armazéns da alfândega, no meio de numerosos navios pertencentes a todas as nações.

Passepartout desembarcou, sem nenhum entusiasmo, naquela terra tão curiosa dos Filhos do Sol. Não tinha nada melhor para fazer do que tomar o acaso por guia, e aventurar-se pelas ruas da cidade.

Der Carnatic nahm seinen Platz am Quai zu Yokohama, in der Nähe der Hafendämme und der Zollmagazine, mitten unter zahlreichen Schiffen aller Nationen.

Passepartout war nichts weniger als begeistert, wie er dieses so merkwürdige Land der Sonnensöhne betrat. Es blieb ihm nichts übrig als den Zufall zum Führer zu nehmen und auf's Geradewohl die Straßen der Stadt zu durchwandeln.

Passepartout achou-se logo numa cidade absolutamente européia, com casas de fachadas baixas, ornadas de varandas sob as quais se viam elegantes peristilos, e que cobria com suas ruas, suas praças, suas docas, seus entrepostos, todo o espaço compreendido entre o promontório do Tratado e o rio. Ali, como em Hong Kong, como em Calcutá, formigava uma mistura de gente de todas as raças, Americanos, Ingleses, Chineses, Holandeses, mercadores prontos a tudo vender e a tudo comprar, no meio dos quais o francês se achava tão estrangeiro como se tivesse sido lançado na terra dos Hotentotes.

Er befand sich gleich in einer völlig europäischen Stadt von niedrig gebauten Häusern, mit Verandas auf zierlichen Säulenreihen, einem Quartier, das mit seinen Straßen, Plätzen, Docks, Lagerhäusern den ganzen Raum vom Vorgebirge bis zum Fluß bedeckte. Hier, wie zu Hongkong und zu Calcutta, wimmelte ein Gemisch aus Menschen aller Racen, Amerikanern, Engländern, Chinesen, Holländern, Kaufleuten, denen alles feil ist und die alles kaufen, in deren Mitte sich der Franzose ebenso fremd fand, als wenn er in's Hottentottenland wäre verschlagen worden.

Passepartout tinha, na verdade, um recurso: era recomendar-se junto aos agentes consulares francês ou inglês estabelecidos em Yokohama; mas lhe repugnava contar sua história, tão intimamente ligada com a de seu patrão, e antes de chegar a isso, queria primeiro esgotar todos os outros recursos.

Por isso, depois de ter percorrido a parte européia da cidade, sem que o acaso de nada lhe servisse, entrou na parte japonesa, decidido, se preciso, a avançar até Yedo.

Passepartout war doch nicht ohne Zuflucht: er konnte sich den zu Yokohama aufgestellten französischen oder englischen Consular-Agenten empfehlen; aber es war ihm zuwider, seine Geschichte, die so enge mit der seines Herrn verflochten war, zu erzählen; und ehe er sich dazu entschloß, wollte er zuerst alle andern Aussichten erschöpfen.

Also, nachdem er den europäischen Stadttheil durchlaufen hatte, ohne daß ihm der Zufall etwas darbot, ging er weiter in den japanischen, entschlossen, im Nothfall bis nach Yeddo zu dringen.

Esta porção indígena de Yokohama é chamada Benten, do nome de uma deusa do mar, adorada nas ilhas vizinhas. Lá se viam admiráveis alamedas de pinheiros e de cedros, portas sagradas de uma arquitetura estranha, pontes enfurnadas no meio de bambus e de caniços, templos abrigados sob a ramagem imensa e melancólica de cedros seculares, mosteiros de bonzos no fundo dos quais vegetavam os sacerdotes do budismo e os seguidores da religião de Confúcio, ruas intermináveis de onde se poderia colher uma safra de crianças de cútis rosadas e faces vermelhas, pequenas criaturas que diríamos recortadas de algum biombo nativo, e que brincavam no meio de cadelas de pernas curtas e gatos amarelados, sem cauda, muito indolentes e muito meigos.

Dieser von Eingeborenen bewohnte Stadttheil heißt Benten, nach einer Meergöttin, die auf den nahen Inseln verehrt wird. Da sah man wunderhübsche Alleen von Tannen und Cedern, heilige Pforten einer seltsamen Architektur, Brücken inmitten von Bambus und Schilfrohr, Tempel unter dem ungeheuren melancholischen Obdach hundertjähriger Cedern, Bonzenhäuser, worin buddhistische Priester und Anhänger des Confucius ein dumpfes Leben führten, Straßen ohne Ende, worin man haufenweise Kinder mit rosenfarbener Haut und rothen Wangen sammeln konnte; kleine Püppchen, als seien sie in einer inländischen Bude geschnitzt worden, die in der Umgebung von kurzbeinigen Pudeln oder schwanzlosen, sehr trägen und schmeichlerischen Katzen spielten.

Auf den Straßen nur Gewimmel, unablässiges Hin-und Herlaufen: Bonzen mit Processionen unter Begleitung monotoner Tamburinen; Yakuninen, Zoll-oder Polizeibeamte mit spitzen, lackirten Hüten und zwei Säbeln am Gürtel; Soldaten in blauer, weißgestreifter Kattunkleidung, mit Percussionsgewehren; Gensdarmen des Mikado in Panzerröcken, und zahlreiches anderes Militär aller Arten, – denn in Japan ist der Soldatenberuf ebensosehr geachtet, wie in China mißachtet. Sodann Bettelbrüder, Pilger in langen Gewändern, einfache Bürgersleute, mit dünnem, rabenschwarzem Haar auf dickem Kopf, langem Oberkörper, schmächtigen Beinen, kurzer Taille, farbiger Haut von den dunkeln Nüancen des kupferbraun bis zu mattem Weiß, aber niemals gelb, wie bei den Chinesen, von welchen die Japanesen sich wesentlich unterscheiden.

Nas ruas, um formigueiro, vais-e-vens incessantes: bonzos passando em procissão batendo em tamborins monótonos; yakouninos, oficiais da alfândega ou da polícia, com chapéus ponteagudos encrustados de laca e trazendo dois sabres à cinta; soldados vestidos com trajes de algodão azul listrados de branco e armados com fuzis de percussão; homens de armas do mikado, ensacados nos seus gibões de seda, com loriga e cota de malha, e muitos outros militares de todas as condições — porque, no Japão, a profissão de soldado é tão estimada como desprezada na China. Depois, frades mendicantes, peregrinos em longas túnicas, simples civis, cabeleira lisa e de um negro de ébano, muito comprida, cabeça grande, tronco comprido, pernas delgadas, estatura pouco elevada, tez colorida desde as sombrias tonalidades do cobre até o branco pálido, mas nunca amarela como a dos Chineses, de que os japoneses diferem essencialmente. Finalmente, entre as viaturas, os palanquins, os cavalos, os carregadores, os carrinhos de vela, os “norimons” com paredes de laca, os fofos “cangos”, verdadeiras liteiras de bambu, via-se circular com pequenos passos de seus pequenos pés, calçados com sapatos de seda, sandálias de palha ou de socós de madeira trabalhada, algumas mulheres pouco bonitas, os olhos contraídos, o peito deprimido, os dentes enegrecidos ao gosto local, mas levando com elegância o traje nacional, o “kirimon”, espécie de roupão cingido por uma faixa de seda formando na cintura, pelo lado de trás, um laço extravagante — que as senhoras de hoje parecem ter emprestado das japonesas.

Endlich, zwischen den Wagen, Palankins, Pferden, Sänftenträgern, Karren mit Segeln, den »Norimons« mit lackirten Wänden, den weichen »Cangos«, echten Bambussänften, sah man kleinfüßige Frauen mit Schuhen von Leinwand, Sandalen von Stroh oder Socken von Holzarbeit einhertrippeln. Sie waren nicht hübsch, hatten enge Augen, flache Brust, Zähne nach dem Tagesgeschmack geschwärzt, trugen aber zierlich das Nationalgewand, »Kirimon«, eine Art Schlafrock mit seidener Schärpe, deren breiter Gürtel hinten zu einem übermäßigen Knoten geschürzt war, – wie die Pariserinnen, welche ihre neueste Mode aus Japan entliehen zu haben scheinen.

Passepartout passeou durante algumas horas entre esta multidão bizarra, contemplando também as curiosas e opulentas lojas, os bazares onde se acumula toda a produção da ourivesaria japonesa, os restaurantes ornados com bandeirolas e flâmulas, nas quais lhe era proibido entrar, e as lojas de chá onde se bebem chávenas cheias de água quente odorífera, com o “saki”, licor tirado do arroz em fermentação, e confortáveis casas de fumo onde se saboreia um tabaco muito fino, e não o ópio, cujo uso é quase desconhecido no Japão.

Passepartout spazierte einige Stunden lang inmitten dieser bunten Masse, besah auch die merkwürdigen reichen Läden, die Bazars, wo der ganze Flitter japanischen Goldschmucks gehäuft ist, die mit Wimpeln und Fähnlein geschmückten »Restaurationen«, in welche er nicht hineingehen durfte, und jene Theehäuser, wo man tassenweise warmes, wohlriechendes Wasser mit »Saki« bekommt, einem Liqueur aus gährendem Reis, und jene bequemen Tabaksstuben, wo man einen sehr seinen Tabak raucht, kein Opium, dessen Verwendung in Japan fast unbekannt ist.

Hierauf kam Passepartout auf's freie Feld mitten unter unermeßliche Reisfluren. Hier schimmerten im letzten Farbenschmuck und Blüthenduft glänzende Camelien, nicht auf Sträuchern, sondern Bäumen, und in Bambusgehägen Kirsch-, Pflaumen- und Aepfelbäume, deren Früchte sie durch Fratzenmännchen, Scheuchklappern gegen den gefräßigen Schnabel der Sperlinge, Tauben, Raben und anderen Gevögels schützen. Da hausen auf den majestätischen Cedern gewaltige Adler; Reiher bergen sich unter den Zweigen der Trauerweiden; überall flattern Krähen, Enten, Sperber, wilde Gänse und Kraniche, die bei den Japanesen sehr in Ehren stehen.

Depois, Passepartout achou-se nos campos, no meio de imensos arrozais. Ali, se espalhavam, com as flores que lançavam suas derradeiras cores e seus derradeiros perfumes, camélias deslumbrantes, não em arbustos, mas em árvores, e, nos cercados de bambu, cerejeiras, pereiras, macieiras, que os indígenas cultivam mais por suas flores que por seus frutos, e que espantalhos e ruidosos molinetes defendem do bico dos pardais, dos pombos, dos corvos e de outras aves vorazes. Não havia cedro magestoso que não abrigasse alguma grande águia, nem salgueiro sob cuja folhagem não se ocultasse alguma garça real, melancolicamente empoleirada num pé; finalmente, por toda parte abundavam as gralhas, os patos mansos e selvagens, os gaviões, e grande número dessas cegonhas a que os japoneses chamam “senhoritas” e que para eles simbolizam a longevidade e a felicidade.

Vagueando assim, Passepartout descobriu algumas violetas entre a relva.

— Bom! disse ele, eis minha ceia!

Nachdem Passepartout so den Tag über spazieren gelaufen, so fühlte er, trotz des reichlichen Frühstücks, welches er vorsorglich auf dem Carnatic noch zu sich genommen hatte, doch am Abend den Magen sehr hohl. Er hatte wohl schon bemerkt, daß Fleisch von Hämmeln, Ziegen oder Schweinen nirgends in den einheimischen Metzgerläden zu sehen war, und da er auch wußte, daß man die Ochsen, weil man sie lediglich für den Ackerbau braucht, nicht tödten darf, so hatte er sich schon gemerkt, daß Fleischgerichte in Japan selten sind. Darin irrte er nicht, aber sein Magen hätte sich auch mit Wildpret, Geflügel oder Fischen begnügt, womit die Japanesen fast ausschließlich sich nähren, außer den Gerichten von Reis. Aber er mußte für heute sich gutwillig in sein Geschick fügen und die Nahrungssorge auf den nächsten Morgen verschieben.

Mas quando as cheirou não encontrou nenhum perfume.

— De modo algum! pensou ele.

A noite chegou e Passepartout...

Claro, o rapaz tinha, por previsão, almoçado tão copiosamente quanto pudera antes de desembarcar; mas, depois de um dia de passeio, sentia o estômago muito vazio. Tinha notado que nos estoques dos açougues indígenas faltava carne de porco, de carneiro ou de cabra, e, como sabia que é um sacrilégio matar os bois, unicamente destinados às utilidades agrícolas, concluíra que no Japão a carne é muito rara. Não se enganara; mas à falta de carne no açougue, o seu estômago dar-se-ia perfeitamente bem com algum pedaço de javali ou de gamo, com alguma perdiz ou codorniz, com algum pedaço de ave ou de peixe, com que os japoneses se sustentam quase que exclusivamente com o produto dos arrozais. Mas teve de se resignar à sorte, e guardar para o dia seguinte o cuidado de prover ao seu sustento.

Die Nacht kam heran. Passepartout begab sich wieder in den Stadttheil der Eingeborenen und schweifte in den Straßen herum zwischen bunten Laternen, sah den Possenreißern zu, die in Gruppen ihre Zauberkünste sehen ließen, und den Astrologen, welche in freier Luft die schaulustige Menge um ihr Fernrohr sammelten. Nachher besuchte er wieder die Rhede, welche im Glanz der Fischerfeuer prangte, die mit dem Schein ihrer Harzfackeln die Fische herbeilocken.

A noite chegou. Passepartout regressou à cidade indígena, e errou pelas ruas em meio a lanternas multicores, contemplando os grupos de acrobatas que executavam os seus prodigiosos exercícios, e vários astrólogos que, ao ar livre, reuniam a multidão em volta de suas lunetas. Em seguida voltou para o ancoradouro, iluminado pelos fogos dos pescadores, que atraíam peixe à luz de resinas inflamadas.

Endlich wurden die Straßen leer, und an Stelle der Massen sah man Yakunine die Runde machen. Diese Beamten in ihrer prachtvollen Uniform und von ihrem Gefolge umgeben, nahmen sich wie Gesandtschaften aus, und Passepartout rief scherzend, so oft er so einer glänzenden Patrouille begegnete:

Afinal as ruas despovoaram-se. À multidão sucederam as rondas dos yakounines. Estes oficiais, com os seus trajes magníficos e com seu cortejo, pareciam embaixadores, e Passepartout repetia gracejando, cada vez que encontrava qualquer patrulha deslumbrante:

»Seht da! Wieder eine japanesische Gesandtschaft, die nach Europa reisen will!«

— Ah, sim! mais uma embaixada japonesa que parte para a Europa.